sexta-feira, 16 de junho de 2017

Tava pensando no último verso do soneto 80 de shakespeare: O meu amor foi a minha ruína...

Eu fiquei me perguntando como o amor pode ser a ruína de alguém?

Quando um amigo me fez aprender a gostar do meu sorriso torto e parar de desdenhar dos meus olhos castanhos: O amor dele ruiu meus complexos.
Quando minha mãe me ajudou a lidar melhor com uma determinada situação que me fazia mal: o amor dela ruiu meus medos.
Quando uma prima me explicou que amar/amizade/relações não eram baseadas em presença. que algumas pessoas se afastam mesmo por determinados períodos e ok porque elas me amam mesmo assim, elas são amigas mesmo assim, são relações mesmo assim: O amor dela ruiu meus preconceitos. 
O amor é a ruína de alguém, mas não no sentido de danificá-lo, porque se ele faz algo ruir, ele reconstrói: melhor e mais bonito. ❤🙏

terça-feira, 13 de junho de 2017

Rui Barbosa
O poema de Rui Barbosa, transcrito a seguir, é de  uma impressionante atualidade.   Poderia ter sido escrito hoje sem mudar uma palavra...
Sinto Vergonha de Mim
Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o feliz a qualquer custo, buscando a tal felicidade em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos para justificar atos criminosos,a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre voltar atrás e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer... Tenho vergonha da minha impotência,da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar  meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Acne e espinha são problemas de pele bastante comuns.
O pior é que,  dependendo do tratamento, podemos ficar com marcas escuras e cicatrizes para sempre.

Essas marcas afetam de maneira intensa a autoestima, fazendo que com que as pessoas gastem muito dinheiro com maquiagens (que servem apenas como paliativo) e cremes.

Como você já deve saber, não é bom abusar do uso de produtos industrializados.

Por isso, neste post, vamos ensinar a fazer uma máscara fantástica com ingredientes naturais.

A receita que trouxemos é muito eficiente no combate a acnes e espinhas.

Além disso, se você usá-la regularmente, também vai se livrar das manchas e cicatrizes no rosto, deixando a pele macia e suave.

Ah, ela também é ótima para combater rugas.

Veja como é simples:
INGREDIENTES

1 colher (chá) de mel

1 colher (chá) de suco de limão
Meia  colher (chá) de canela

Meia colher (chá) de noz-moscada

MODO DE PREPARO

Misture todos os ingredientes e dilua com água até alcançar a textura desejada.

Caso você tenha pele sensível, diminua a quantidade de suco de limão ou simplesmente retire da receita.

Adicione o mel para a mistura ficar grossa.

Esta máscara não é recomendada para pessoas que sofrem de telangiectasia, rosácea e outras doenças vasculares da pele, pois o mel alarga os vasos sanguíneos.

Assim, se este for o seu caso,  utilize argila branca ou verde para substituir o mel.

Passe a pasta no rosto, mas evite a área dos olhos e da boca.

Deixe a mistura agir por 30 minutos.

Caso não consiga suportar a sensação de queimação, deixe agir por 10 minutos.

A sensação de formigamento normalmente se acalma nos primeiros 5 minutos e depois desaparece.

Em seguida, lave o rosto com água morna e aplique um creme hidratante.

Esta máscara não deve ser utilizada para esfoliar a pele e deve ser sempre aplicada à noite.

Você deve aplicá-la de duas a três vezes por semana.

Por precaução, faça um teste para ver se você tem alergia aos ingredientes da fórmula: aplique atrás da orelha a quantidade suficiente para cobrir uma área do tamanho de uma moeda (1cm).

Espere meia hora e veja se depois deste tempo ocorre vermelhidão intensa.

Se não houver, pode usar a máscara.


terça-feira, 6 de junho de 2017

A Primeira Depilação

- "Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que meus pêlos não pesam tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- "Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- "Vai depilar o quê?"
- "Virilha."
- "Normal ou cavada?"
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- "Cavada mesmo."
- "Amanhã, às... deixa eu ver...13h?"
- "Ok. Marcado."
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique.
Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso
cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- "Querida, pode deitar."
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus , era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- "Quer bem cavada?"
- "...é ... é, isso."
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- "Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- "Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia nada do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- "Pode abrir as pernas."
- "Assim?"
- "Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado."
- "Arreganhada, né?"
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- "Tudo ótimo. E você?"
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- "Quer que tire dos lábios?"
- "Não, eu quero só virilha, bigode não."
- "Não, querida, os lábios dela aqui ó."
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se ferrar mesmo.
- "Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor."
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- "Olha, tá ficando linda essa depilação."
- "Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto."
Se tivesse sobrado algum pelinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. - "Me leva daqui, Deus, me teletransporte". - Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- "Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?"
- "Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada."
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- "Vamos ficar de lado agora?"
- "Hein?"
- "Deitar de lado pra fazer a parte cavada."
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- "Segura sua bunda aqui?"
- "Hein?"
- "Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda."
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê... Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, soltar um pum na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- "Tudo bem, Pê?"
- "Sim... sonhei de novo com o fiofó de uma cliente."
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu twin peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil ânus por dia. Aliás, isso até aliviava minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- "Vira agora do outro lado."
Poxa... por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A bruaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- "Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha."
- "Máquina de quê?!"
- "Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol."
- "Dói?"
- "Dói nada."
- "Tá, passa logo isso..."
- "Baixa a calcinha, por favor."
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha!!!...como alguém fala isso sem antes um beijinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao bumbum. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
" - Prontinha. Posso passar um talco?"
- "Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha."
- "Tá linda! Pode namorar muito agora."
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso . Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

Autor : alguma mulher muito enraivecida

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A vitória requer espera


Ao chegar em casa, depois de haver assistido a uma ópera, certa senhora abastada notou que sua joia de alto valor não se encontrava mais presa ao vestido. Ficou apreensiva porque a recebera do esposo ha poucas semanas. Era preciso recupera-la. Julgando-a perdida no carro, desceu as escadas e foi a garagem. Abriu o carro, examinando-o cuidadosamente em cada cantinho, mas nada! O que fazer? Já se fazia tarde e, então, o mais sensato seria deixar para o dia seguinte as novas buscas e providencias. Antes de dormir, ainda deu mais uma boa olhadela no quarto de vestir para ver se a encontraria ali. Tudo em vão. Aquela foi uma noite de insônia... nas primeiras horas da manha seguinte, aquela senhora fez uma ligação para o teatro onde estivera na véspera e foi gentilmente atendida pelo gerente a quem contou, com detalhes, a respeito do ocorrido. Disse-lhe que estava certa de haver perdido, durante o espetáculo da noite anterior, a sua joia de valor incalculável - um broche de ouro cravejado de brilhantes. Sobretudo, era um presente do marido! O gerente, demonstrando todo o interesse em colaborar na busca, pediu-lhe que permanecesse na linha, enquanto faria as verificações de praxe. Saiu então a procura do administrador, demorando um pouco para encontrá-lo a quem contou a historia indagando em seguida a respeito do possível aparecimento da joia em meio aos papeis retirados do chão do teatro.
O administrador informou que a joia havia sido encontrada e guardada em lugar seguro. Voltando ao telefone para transmitir a feliz noticia, o gerente constatou que a senhora já havia desligado. Não teve paciência de esperar. Como não havia revelado seu nome, endereço ou numero do seu telefone, foi impossível encontra-la para lhe entregar a joia que tanto desejou recuperar.
Quantas pessoas buscam a Deus pedindo alguma coisa de muita importância, mas que não ficam na linha aguardando a resposta. Desanimam depressa demais e vão em busca de outra solução, esquecidas do fato de que Deus algumas vezes demora numa resposta porque o tempo não é oportuno ou porque a nossa vontade não está em perfeita sintonia com a dele.
Para se conseguir vitórias - materiais, intelectuais e, sobretudo, espirituais - é imprescindível que se saiba esperar.
A falta de paciência na espera pode levar alguém a precipitações, cujas consequências conduzem a sofrimentos ou prejuízos que poderão acompanha-la pelo resto da vida.